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Aumento de custos com energia: Montenegro anuncia linha de apoio de 600 milhões para empresas

Numa cerimónia em que assinalou dois anos da tomada de posse como primeiro-ministro, na residência oficial em São Bento (Lisboa), Luís Montenegro anunciou que a linha se vai chamar “Portugal Resiliência Energética” e será financiada pelo Banco Português de Fomento.

“Destina-se a financiar, por via de crédito, as necessidades de tesouraria e fundo de maneio das empresas mais afetadas pela subida dos custos energéticos. É mais uma medida de resposta à situação atual. Destina-se a empresas em que o custo de energia represente mais de 20% dos seus custos de produção”, explicou.

Segundo o primeiro-ministro, “o Estado prestará garantia pública que cobre 70% para as grandes empresas e 80% para as pequenas e médias empresas”.

“Vai reforçar a capacidade das empresas para responder à instabilidade internacional e para proteger a nossa competitividade, o nosso emprego e a resiliência do nosso tecido produtivo nacional”, disse.

Nesta intervenção, a partir do jardim da residência oficial em São Bento, e que contou com os ministros do atual Governo mas também alguns do anterior Executivo, que também liderou, Montenegro quis assinalar o segundo aniversário da tomada de posse – a 2 de abril de 2024 -, e os feitos alcançados.

“Há dois anos acabou um período em que o país teve demasiada teimosia ideológica a que corresponderam resultados demasiados escassos”, afirmou, numa referência aos anteriores governos do PS.

Depois, reformulou uma frase que disse em 2014, no tempo da ‘troika’ quando admitiu que a vida das pessoas não estava melhor, mas a do país estava muito melhor.

“Hoje o país está melhor e os portugueses também estão melhor”, afirmou, tal como disse no discurso do Estado da Nação em julho do ano passado.

Montenegro começou por agradecer aos membros do XXIV e XXV Governos que aceitaram o convite para assinalar estes dois anos de “trabalho conjunto”, numa cerimónia a que faltaram alguns ministros do atual executivo por estarem fora de Lisboa, como Nuno Melo, Maria do Rosário Palma Ramalho e Miguel Pinto Luz.

Marcaram presença do anterior Governo os ex-ministros Pedro Duarte, Pedro Reis e Margarida Blasco, mas não antigas governantes como Maria Lúcia Amaral e Dalila Rodrigues. Destaque ainda para a ausência de atuais ministros como Nuno Melo (Defesa), Miguel Pinto Luz (Infraestuturas), e Maria Rosário Palma Ramalho (Trabalho) que, ao que a SIC apurou, estão fora de Lisboa.

“Há dois anos os portugueses quiseram a mudança, acreditaram que era possível fazer mais e deixar de adiar o futuro”, assinalou Montenegro.

O primeiro-ministro destacou as reduções de impostos para famílias e empresas, os aumentos de rendimentos de trabalhadores e pensionistas e os muitos acordos com carreiras da administração pública.

“Trouxemos o Estado Social para o centro da nossa ação, resgatando-o da falência operacional”, afirmou, defendendo as medidas do Governo em áreas como a saúde ou habitação ou a regulação da imigração “com firmeza e humanismo”.

Montenegro lembrou ainda a criação do passe ferroviário verde, “que permite a todos os portugueses viajar por 20 euros durante um mês, em todos os comboios, com exceção do Alfa Pendular”.

“Vamos atingir nos próximos dias um milhão de assinaturas deste passe”, destacou.

Dois anos, dois governos, dois Presidentes e dois líderes do PS depois…
Desde que tomou posse pela primeira vez, em 2 de abril de 2024, o presidente do PSD já conviveu com dois Presidentes da República, Marcelo Rebelo de Sousa e António José Seguro — que na tomada de posse disse querer estancar o “frenesim eleitoral” dos últimos anos – e dois líderes do PS, Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro.

O primeiro executivo chefiado por Luís Montenegro demitiu-se a 11 de março de 2025 – com menos de um ano em funções – devido à rejeição pelo Parlamento de uma moção de confiança apresentada pelo executivo, após semanas de dúvidas sobre a vida patrimonial e pessoal do primeiro-ministro e a empresa Spinumviva.

Depois de uma campanha totalmente centrada na figura de Montenegro — o hino da AD dizia “Deixa o Luís trabalhar” -, a coligação PSD/CDS-PP voltou a vencer eleições em maio de 2025 e reforçou-se em número de deputados (passou de 80 para 91), numas eleições em que o Chega ultrapassou o PS como segunda força parlamentar (60 deputados contra 58).

Montenegro formou um Governo de continuidade — com apenas dois ministros novos — e, logo no primeiro Conselho de Ministros, reivindicou uma posição central no panorama político português, dizendo que o executivo iria “planar” umas vezes mais para a esquerda, outras mais para direta, metáfora que tem repetido de outras formas sempre que lhe perguntam se governará mais com o Chega ou com o PS.

Lei da Nacionalidade aprovada com votos a favor do PSD, Chega, IL e CDS-PP
Desde então, o caminho, num parlamento tripartido, tem passado por apresentar o Governo como “o eixo central” ou o “bloco do meio”, sem escolher um parceiro preferencial entre o PS e o Chega.

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