Lewis Hamilton afirmou que “os europeus têm de ser todos expulsos de África”?

A afirmação está a ser atribuída ao piloto britânico de Fórmula 1 e terá sido feita numa conferência de imprensa à margem do Grande Prémio da Austrália
Circula nas redes sociais uma publicação que garante que Lewis Hamilton afirmou, numa conferência de imprensa de antevisão ao Grande Prémio da Austrália – a primeira corrida da temporada de 2026 de Fórmula 1 -, que “os europeus têm de ser todos expulsos de África”.
A alegação sugere que o piloto britânico teria defendido a expulsão de europeus do continente africano e que mencionou “franceses, ingleses e portugueses”.
Hamilton disse mesmo isto?
A frase que circula nas redes sociais resulta de uma interpretação distorcida de declarações feitas pelo heptacampeão mundial de F1. Questionado sobre a possibilidade de a Fórmula 1 voltar a realizar uma corrida em África – continente que não acolhe um Grande Prémio da categoria-rainha do desporto motorizado desde 1993 (África do Sul) – o piloto da Ferrari falou sobre a importância do continente e sobre a sua ligação pessoal ao território africano.
Hamilton afirmou que gostaria de ver os países africanos a “unirem-se e recuperarem África”, referindo que muitas das riquezas do continente continuam a ser exploradas ou influenciadas por antigas potências coloniais europeias.
O piloto britânico de 41 anos disse esperar que os líderes africanos “se unam e recuperem África”, acrescentando que o continente deveria “recuperá-la dos franceses, espanhóis, portugueses e britânicos”, numa crítica histórica ao legado do colonialismo e à exploração de recursos africanos, não como um apelo para a expulsão dos europeus que vivem no continente.
Lewis Hamilton enquadrou o comentário com referências às raízes familiares e à admiração que tem pelo continente africano. Afirmou ter ascendência em países como Togo e Benim e disse sentir orgulho nessa herança, acrescentando que África tem “todos os recursos para ser o lugar mais poderoso do mundo”.
A ligação de Hamilton a África não é recente: ao longo dos últimos anos, o piloto tem visitado vários países africanos – incluindo Quénia, Ruanda, Benim, Senegal e Nigéria – e tem reiterado que a Fórmula 1 deveria regressar ao continente.
O contexto pessoal também ajuda a compreender a relevância destas declarações. Hamilton tornou-se em 2007 o primeiro piloto negro a competir na Fórmula 1, algo que tem marcado a sua carreira e o leva a posicionar-se inúmeras vezes em temas ligados ao racismo, à diversidade e à desigualdade.
Lewis Hamilton criticou a influência histórica de países da Europa em África, mas não apelou à expulsão de “todos os europeus” do continente. O que o piloto disse foi que gostaria de ver os países africanos “recuperarem” o controlo do seu continente e dos seus recursos, numa referência ao legado do colonialismo europeu. A alegação partilhada nas redes sociais distorce o sentido das declarações originais.






