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Pedro Sánchez diz não estar preocupado com possíveis retaliações de Donald Trump

Presidente do governo espanhol reiterou críticas à atuação dos EUA no Médio Oriente e sublinhou que “ser aliado dos Estados Unidos não significa dizer sim a tudo”.

Pedro Sánchez afirmou que não teme possíveis represálias de Donald Trump devido à postura de condenação de Espanha à guerra no Médio Oriente e à ação israelo-norte-americana no Irão. O presidente do Governo de Espanha explica que a posição “não à guerra” é uma “questão de princípio” e descarta as acusações de oportunismo político.

Em entrevista ao El Diário, o presidente do governo espanhol defendeu a sua posição de “não à guerra”, justificando que “ser aliado dos Estados Unidos não significa dizer sim a tudo”.

Sánchez lembra que tem sempre defendido os princípios do direito internacional, não só neste conflito, mas também na guerra na Ucrânia e em Gaza, e que a sua posição é uma “questão de princípio” e não de oportunismo político, como acusa a oposição.

“A posição da Espanha tem sido coerente ao longo do tempo nas sucessivas guerras que vivemos há já cinco anos: a de Putin na Ucrânia, a de Gaza. A defesa da legalidade internacional é uma posição consistente por parte do Governo da Espanha”, afirmou Pedro Sánchez ao El Diário.

“Em segundo lugar, pertencemos a um espaço que é a União Europeia, e a Comissão Europeia tem sido muito clara a este respeito. E, finalmente, porque acredito que a coação não é o caminho a seguir. Ser aliado dos Estados Unidos não significa dizer sim a tudo”, defendeu o presidente do governo espanhol.
Sobre política externa, Pedro Sanchéz defendeu que se deve abolir o poder de veto nas Nações Unidas, porque dois dos membros permanentes do Conselho de Segurança – os Estados Unidos e a Rússia – têm contribuído para a instabilidade mundial.

Sánchez adianta ainda ainda que não vai participar no plano francês para aumentar o arsenal nuclear, porque não quer uma Europa com este tipo de armas.

“A Europa deve defender a ordem internacional baseada em regras e a defesa do multilateralismo renovado. Temos de acabar com o direito de veto nas Nações Unidas. É curioso que dois membros permanentes do Conselho de Segurança sejam a Rússia e os Estados Unidos, que neste momento são duas potências que estão a trazer muita instabilidade ao mundo com as guerras na Ucrânia e também no Irão. Se fizermos uma reforma do sistema das Nações Unidas, teremos de incorporar grandes nações como a Índia, o continente africano, a China ou o Brasil, com uma representação muito mais ampla nestes organismos”, acrescentou Pedro Sanchéz.

Em reação à posição de Espanha, Donald Trump deu instruções para pôr fim a todos os acordos comerciais com o país. A posição do Presidente dos EUA relativa às relações comerciais com Espanha aconteceu depois de Madrid ter proibido o uso de bases espanholas no ataque ao Irão.

Na semana passada, Espanha rejeitou a utilização por parte dos EUA das bases militares de Rota e Morón, no sul do país, para as operações relacionadas com os ataques ao Irão lançados a 28 de fevereiro, o que levou os norte-americanos a deslocar os aviões cisterna de abastecimento de outras aeronaves que tinha em território espanhol para bases noutros países da Europa.

Além da postura de Espanha sobre os ataques ao Irão, Trump criticou também a decisão do Governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, de recusar subir para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional o orçamento dedicado à defesa, como os restantes países-membros da NATO.

 

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