Passos Coelho defende acordo de legislatura com Chega e IL e não exclui regresso
O ex-primeiro-ministro defende que Montenegro deveria ter procurado um acordo estável com Chega e IL para assegurar reformas e admite que o partido de André Ventura pode beneficiar do desgaste do PSD. Sobre o futuro, garante: “Quando eu quiser candidatar-me, candidato-me”
Pedro Passos Coelho considera que o Governo deveria ter tentado um acordo de legislatura com o Chega e a Iniciativa Liberal para assegurar estabilidade política e capacidade reformista. Em entrevista ao ECO o ex-primeiro-ministro sustenta que existe “uma grande maioria no Parlamento à direita” que deveria ter sido explorada.
“Só o tempo demonstraria se era possível ou não, mas desejável era, e deveria ter sido tentado”, afirma, defendendo que um entendimento formal teria evitado a atual negociação casuística e o desgaste permanente do executivo.
Sem entrar numa avaliação ideológica do Chega, Passos trata o partido como interlocutor legítimo no espaço parlamentar e rejeita que deva ser “isentado” de responsabilidades nas decisões estruturais. Admite ainda que, num cenário de desgaste do PSD, é “muito provável” que seja o Chega – e não o PS – a capitalizar o descontentamento eleitoral, sinalizando que não vê o partido como fenómeno conjuntural.
O antigo líder do PSD critica também a estratégia seguida na privatização da TAP, defendendo que o Governo deveria ter apresentado uma proposta clara de alienação maioritária, responsabilizando a oposição caso fosse chumbada.
“Quando eu quiser candidatar-me, candidato-me.”
Questionado sobre o seu futuro político, Passos rejeita estar a preparar uma candidatura, mas não encerra o tema.
“Não estou a preparar-me para uma candidatura”, afirma. Ainda assim, acrescenta: “Quando eu quiser candidatar-me, candidato-me, e anuncio que me vou candidatar.”
Diz estar “de bem com a política e com o país” e garante não procurar “desforras”, mas não vê razão para excluir qualquer cenário futuro.
Reformas e desgaste
Ao longo da entrevista, insiste na urgência de reformas estruturais e alerta para sinais “tímidos” na reforma do Estado. Considera inevitável mexer na Segurança Social, apesar do custo político, e defende que o Governo deve confrontar o Parlamento com propostas claras, responsabilizando a oposição pelos bloqueios.
Passos enquadra o atual momento político como um período de fragmentação duradoura, afastando a ideia de que o tripartidarismo seja passageiro. Para o ex-primeiro-ministro, a estabilidade só será possível com clarificação estratégica – e com maior ambição reformista.






