Não podia sair mais feliz de funções”, afirma Marcelo ao lado de Costa

No último encontro oficial entre o Presidente da República cessante e o atual presidente da Comissão Europeia, Marcelo e Costa fizeram um balanço dos 40 anos de integração de Portugal na União Europeia e a transformação estrutural do país.
O Presidente da República encontrou-se esta sexta-feira em Bruxelas com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, numa despedida das instituições europeias. No último encontro de alto nível entre a dupla que marcou a política nacional, foi sublinhado o crescimento de Portugal nos 40 anos desde a adesão à UE e nos 10 anos de mandato de Marcelo Rebelo de Sousa.
O presidente do Conselho Europeu fez um balanço dos 40 anos que Portugal faz parte da União Europeia. António Costa falou da década de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República, entre 2016 e 2026, que “foi muito importante na relação entre Portugal com a UE”, sublinhando a “transformação estrutural que o país teve”.
Lembrando que quando Marcelo iniciou funções, Portugal estava ainda em procedimento por défice excessivo, “termina o seu mandato já quase nove anos depois de termos abandonado esse procedimento, com uma situação orçamental estável, tendencialmente positiva, com uma redução progressiva e consistente da nossa dívida”, dados que “mostram bem a transformação estrutural que o país teve, muito fruto do investimento nas qualificações”.
Portanto, acho que tem bons motivos para olhar para trás, já que não gosta de olhar com bons olhos para o futuro, olhar para trás com satisfação por aquilo que foi o percurso que o país fez durante estes dois seus mandatos e que queria aqui agradecer”, disse, dirigindo-se a Marcelo Rebelo de Sousa.
Uma honra e um prazer estar aqui com António Costa”
O Presidente da República cessante quis salientar que decidiu fazer a última visita a instituições europeias para “agradecer à Europa aquilo que foi uma grande escolha para o destino de Portugal”.
A visita realiza-se a menos de duas semanas de Marcelo Rebelo de Sousa cessar funções, em 9 de março, e inclui encontros com os presidentes das três principais instituições europeias: Parlamento Europeu, Comissão Europeia e Conselho Europeu.
“Eu nunca tive dúvidas de que éramos muito felizes”
Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa tiveram oito anos de coabitação (2016-2024), a segunda mais longa na história da democracia portuguesa, após a de Mário Soares e Cavaco Silva (1986-1995).
António Costa disse hoje que sempre soube que a sua coabitação com Marcelo Rebelo de Sousa era “muito feliz”, apesar de haver quem cultivasse, “por vezes, algum pessimismo menos produtivo”.
Eu nunca tive dúvidas de que éramos muito felizes. A dúvida era mais de quem, contrariando o otimismo saudável, cultivava, por vezes, algum pessimismo menos produtivo”, afirmou António Costa, numa alusão a Marcelo Rebelo de Sousa, conhecido por ter qualificado o anterior primeiro-ministro português como um “otimista irritante”.
Por sua vez, Marcelo Rebelo de Sousa, após ouvir António Costa recordar que o conheceu há cerca de 40 anos “nos bancos da Faculdade de Direito”, também destacou também a “amizade de sempre” que manteve com o atual presidente do Conselho Europeu.
Nessa sala, decorada com fotografias de momentos marcantes da história de Portugal na UE, como a assinatura do tratado de adesão em 1986 ou as presidências portuguesas do Conselho da UE, será revelada a Marcelo Rebelo de Sousa uma nova foto: a sua, quando discursou na sessão extraordinária do Parlamento Europeu, no mês passado em Estrasburgo, para assinalar os 40 anos da adesão de Portugal à então CEE.
Marcelo Rebelo de Sousa vai cessar funções em 9 de março, data em que o novo Presidente da República, António José Seguro, tomará posse perante a Assembleia da República.






