Com um acordo de paz “robusto e sustentável”, Portugal pode contribuir para reconstrução da Ucrânia

A garantia foi deixada esta terça-feira, dia em que se assinalam quatro anos de guerra, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros. Paulo Rangel espera que seja possível alcançar um acordo de paz este ano.
Portugal está ao lado da Ucrânia e espera que este ano seja possível alcançar um acordo para cessar a guerra, afirmou esta terça-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros, ao assinalar os quatro anos da invasão do país pela Rússia.
São quatro anos de sofrimento para todo o povo da Ucrânia, os seus militares, mas também para imensos alvos civis”, disse Paulo Rangel, numa mensagem publicada na rede social X, na qual destaca que o grau de destruição causado pela guerra é enorme.
O ministro transmitiu a mesma ideia durante uma entrevista à Renascença onde lembrou que o enfraquecimento da economia russa pode mesmo abrir portas à paz.
Na mesma entrevista, Paulo Rangel disse ainda que Portugal pode contribuir para a reconstrução da Ucrânia, desde que seja conseguido um acordo de paz robusto e sustentável.
Portugal pode intervir claramente no domínio da reconstrução. Temos capacidade para isso e, portanto, termos as nossas empresas e mesmo o Estado português a colaborar com a reconstrução da Ucrânia, será também uma oportunidade de revitalização daquela região”.
“A violação do direito internacional, da soberania, da integridade territorial e da Carta das Nações Unidas, de valores em que todos acreditamos é verdadeiramente dramática”, sublinhou o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, considerando que a invasão russa da Ucrânia, em larga escala, criou “uma nova etapa na vida internacional”.
Paulo Rangel lembrou que Portugal tem uma grande comunidade ucraniana e que tem estado ao lado do país, com apoio humanitário, financeiro e militar.
“Acreditamos no futuro europeu da Ucrânia”, reafirmou o titular dos Negócios Estrangeiros, acrescentando: “Celebramos estes quatro anos com tristeza, com preocupação, mas também acreditando que, em 2026, seja possível um acordo de paz, sustentável, duradouro, justo”
Rangel lembra que conselho de paz criado por Trump não tem legitimidade
Sobre o conselho de paz criado por Donald Trump, Rangel descarta qualquer participação portuguesa. O ministro dos Negócios Estrangeiros lembra que este organismo não tem legitimidade por não estar enquadrado nas Nações Unidas.
O tal Conselho de Paz só faz sentido ao abrigo de uma solução das Nações Unidas, que já existe, de 17 de novembro”.
Para o ministro, o conselho de paz criado pelo Presidente dos Estados Unidos “é um instrumento que não tem condições para atuar” no conflito da Ucrânia nem em outros conflitos.
A Rússia anexou a Península da Crimeia, em 2014, e lançou uma ofensiva de grande escala contra todo o território ucraniano em fevereiro de 2022.






