Crime em Vagos: o que leva um jovem de 14 anos a matar a mãe

O jovem de 14 anos que matou a mãe, em Vagos, foi condenado à medida mais grave da lei tutelar educativa. Terá de cumprir três anos de internamento em regime fechado no Centro Educativo do Porto. O Tribunal de Aveiro considerou provados os factos, destacou a frieza e sobretudo a ausência de remorsos demonstrada pelo menor após o homicídio.
Seis meses depois do crime que abalou Vagos, o Tribunal de Família e Menores de Aveiro concluiu que foi o filho de 14 anos quem matou a mãe, com dois tiros na cabeça.
O homicídio aconteceu dentro da casa da vereadora Susana Gravato, em outubro do ano passado e levou à aplicação da medida mais grave da justiça tutelar educativa: três anos de internamento em regime fechado.
Segundo relatos recolhidos pela equipa do Casos de Polícia, o adolescente falava há meses em fugir e refugiar-se num acampamento cigano na Gafanha da Nazaré, a cerca de 10 quilómetros de distância, uma ideia que mostrava desobediência, vontade de romper com a vida familiar e abandonar a casa onde vivia com os pais e o irmão mais velho de 19 anos.
O dia do crime
A 21 de outubro, o jovem almoçou com os pais num restaurante e esperava depois ficar sozinho em casa. Foi buscar a arma do pai, munições e retirou 32 mil euros guardados no cofre. Mas a mãe voltou para casa mais cedo.
Ao vê-la entrar, o adolescente regressou ao quarto, onde terá carregado a arma com mais munições. Enquanto falava ao telefone, Susana Gravato foi atingida por um primeiro tiro.
Em tribunal, o jovem terá explicado que nesse primeiro momento houve uma discussão e que a mãe tentou tirar-lhe a arma das mãos. Mas o adolescente voltou a disparar e o segundo tiro foi fatal.
Depois do homicídio, o jovem tapou o corpo e o rosto da mãe e desceu à garagem. Enviou uma mensagem a um amigo e pediu ajuda para fugir.
Em tribunal, o adolescente confessou tudo ao detalhe, mas sem demonstrar emoção. A juíza destacou a frieza e, sobretudo, a ausência de remorsos.
Os relatórios médico-legais concluem que o jovem apresenta traços significativos de psicopatia, egocentrismo e propensão para comportamentos violentos. A psicologia forense alerta que, nestes casos, há também tendência para a manipulação.
Homicídio qualificado é um crime que prevê uma pena máxima de 25 anos de prisão para adultos. Mas neste caso, o jovem de 14 anos só poderá cumprir o máximo de três anos. Está atualmente no Centro Educativo Santo António, no Porto, onde permanecerá até aos 17 anos.
Por ser menor, não terá cadastro criminal e ninguém saberá oficialmente o que fez.






