Falta de médicos de família: ministra aponta imigração como causa, mas sem dados para justificar

Associação de Médicos de Família Independentes diz não ter como verificar as ideias da ministra, porque os dados sobre utentes e médicos de família deixaram de ser publicados desde março.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, culpou a imigração e as redes de imigração pelo aumento de portugueses sem médico de família. Uma ligação que carece de factos e dados.
Na última década a doença crónica da falta de médico de família agravou-se, apesar de haver nove mil clínicos inscritos na Ordem, o maior número alguma vez registado. Em resposta ao porquê de de mais de um milhão e meio de utentes não tenham um, a governante mencionou uma causa apenas, quando falou aos militantes do PSD este fim de semana.
“As circunstâncias que vivemos com um aumento populacional brusco causado pelo acolhimento de imigrantes que entram no país sem regras e sem humanismo, a que acresce a existência de redes organizadas que se aproveitam da bondade da democracia e de negócios ilegais assentes nas ineficiências dos sistemas de saúde de outros países, fazem com que o sucesso e o esforço que temos tido no aumento do número de médicos de família pareça não existir”, afirmou.
A Associação de Médicos de Família Independentes diz não ter como verificar as ideias da ministra, porque os dados sobre utentes e médicos de família deixaram de ser publicados desde março.
Mas acrescenta ainda outras razões, como o fracasso das convenções entre as ULS e os médicos de família do privado e as USF, um modelo que considera estar ainda por vingar.
Esta é já a segunda vez que Ana Paula Martins recorre ao chamado turismo da saúde e à imigração para explicar problemas no SNS.
Quanto à causa efeito entre imigração e os utentes sem médicos de família, carece de factos e de dados.





