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Quando eu quiser candidatar-me, anuncio”: Passos Coelho volta ao espaço público após oito anos

antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho está de volta ao debate político nacional, depois de quase uma década de reserva pública, mas rejeita que esse regresso signifique a preparação de uma candidatura ou um regresso iminente à vida partidária ativa. Numa longa entrevista ao jornal ECO, a primeira em oito anos dedicada à atualidade política e económica, Passos Coelho assume uma presença pública mais visível e regular, justificando-a com um sentido de responsabilidade política que, entende, não terminou com o fim do seu mandato.

“Não estou a preparar-me para uma candidatura”, afirma de forma direta, sublinhando que existe uma diferença clara entre participar no debate público e preparar um regresso à política partidária ativa. “Uma coisa é ter uma participação política, contribuir para a discussão pública sobre temas políticos e de política pública, outra coisa é estar a preparar uma candidatura”, acrescenta.

Depois de ter deixado a liderança do PSD e o cargo de primeiro-ministro, Passos Coelho optou por um longo período de silêncio, que explica como um dever de contenção institucional. “Entendia que tinha de seguir um código de conduta que me obrigava a ser mais discreto, mais prudente, mais reservado, de modo a não estar a criar uma espécie de liderança dual”, refere.

Depois de ter deixado a liderança do PSD e o cargo de primeiro-ministro, Passos Coelho optou por um longo período de silêncio, que explica como um dever de contenção institucional. “Entendia que tinha de seguir um código de conduta que me obrigava a ser mais discreto, mais prudente, mais reservado, de modo a não estar a criar uma espécie de liderança dual”, refere.

Quando eu quiser candidatar-me, candidato-me, e anuncio que me vou candidatar”, garantiu.

No entanto, garante que qualquer decisão será assumida sem ambiguidades. Um cenário que, admite, só faria sentido em contexto de crise. “Seguramente, não seria um bom sinal.”

“Eu acho que, depois daquilo que realizei, estou de bem com o que fiz. Estou de bem com a política e estou de bem com o país, não ando à procura de nada em particular, não tenho desforras para fazer, não tenho necessidade de querer provar ou mostrar o que quer que seja. Portanto, encontro-me de bem comigo, com a vida e com o mundo. Por essa razão, não sinto necessidade de correr atrás de nada. Agora, não sinto nenhuma necessidade de excluir qualquer coisa que venha a fazer no futuro, porque razão haveria de o fazer?”

O regresso de Passos Coelho ao espaço público faz-se, assim, pela via da intervenção política e da reflexão crítica, sem calendário eleitoral nem anúncio de intenções partidárias.

Passos Coelho distancia-se ainda da estratégia seguida por Montenegro e aponta uma falta de clareza reformista no primeiro ano de governação, considerando que o foco excessivo na pacificação social e em medidas de curto prazo desperdiçou a oportunidade criada pela derrota do Partido Socialista e pela expectativa de mudança expressa nas eleições.

O PS, contra a ameaça do regresso do PSD ao Governo, esvaziou o BE e o PCP, o que é uma coisa profundamente irónica. O problema é que essa história não é hoje repetível, porque o PSD não pode esperar o mesmo exercício de um parlamento tripartido”, continuou.

Para o antigo chefe de governo da coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP), que teve o atual primeiro-ministro, Luís Montenegro como líder parlamentar, tanto BE como PCP, naquela altura, “esvaziaram-se para o PS com o receio de que o PSD e o dr. Rui Rio pudessem ganhar as eleições”.

”Mas não creio que o Chega se esvazie, nem que a IL se esvazie, porque o PS pode ganhar as eleições futuras. Eu, de resto, até acho muito pouco provável que, no dia em que o PSD perca as eleições, seja o PS a ganhá-las…”, prognosticou, adiantando que, “muito provavelmente, é o Chega”.

Passos Coelho considerou ter “sido preferível procurar um caminho de estabilidade”, ou seja, de entendimento com os partidos do espetro político da direita.

“Arrisco dizer que, se esse caminho tivesse sido prosseguido, das duas, uma. Ou não teria sido bem-sucedido porque os líderes do Chega e da IL não teriam aceitado fazê-lo, mas seriam responsabilizados pelos eleitores por terem recusado dar condições de estabilidade. E se tivessem acedido e criado um quadro de estabilidade, estaríamos melhor, seguramente”, disse.

Passos Coelho disse que não acompanha “há muitos anos o espaço mediático televisivo”, preferindo “os jornais, sobretudo”.

“E tenho dúvidas de que o projeto reformista tenha sido o que tivesse sido mais destacado na comunicação. Ouvi muito a mensagem da pacificação… Que era preciso pacificar, pacificar os professores, pacificar os setores que estavam… os pensionistas”, criticou, na extensa entrevista ao ECO.

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