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Salário mínimo nacional cada vez mais perto do mediano, há riscos de produtividade das empresas ser afetada

Pouco mais de 100 euros separam o salário mínimo do salário mediano em Portugal. Uma diferença que tem vindo a encurtar, todos os anos, com os salários mais baixos a subir mais do que os restantes. O Banco de Portugal alerta para esta compressão salarial, que pode ter impacto na produtividade

Em 10 anos, o salário mínimo em Portugal subiu quase 400 euros. Desde janeiro que está nos 920 euros.

Os aumentos têm sido mais expressivos nos últimos anos, o que tem permitido reduzir a desigualdade salarial em Portugal, ou seja, a diferença entre os salários mais baixos e os mais altos é cada vez menor.

Mas isso significa também que quem antes ganhava mais está a ver o salário ficar cada vez mais próximo da remuneração mínima, porque os outros salários também têm aumentado em Portugal, mas menos.

Os dados do Banco de Portugal mostram que o salário mínimo já atingiu 91% do salário mediano.

Os números são do ano passado, quando a remuneração mínima ainda estava nos 870 euros. A mediana estava nos 984 euros em valor líquido. Ou seja, quem recebia o salário mediano em Portugal ganhava por mês cerca de 100 euros a mais do que quem recebia o salário mínimo.

Isto significa que metade dos trabalhadores em Portugal recebe menos de 1000 euros por mês depois dos impostos e contribuições.

Produtividade das empresas poderá ser afetada
Essa aproximação entre o mínimo, o mediano e o salário médio, que também ronda os 1300 euros por mês, acontece porque a remuneração mínima tem subido por decisão do Governo e as empresas são obrigada a fazer essas atualizações.

Mas, quanto aos outros salários, a decisão é do empregador, que nem sempre sobe ou, pelo menos, não sobe os restantes salários ao mesmo ritmo dos mais baixos, porque o pagamento dessas componentes está isento de imposto ou é significativamente mais baixo.

Por isso, compensa mais às empresas dar esses benefícios do que aumentar os salários. O Banco de Portugal alerta para os riscos desta compressão nas remunerações e diz que pode provocar desincentivos ao trabalho e traz riscos para a produtividade.

O salário médio por trabalhador cresceu 5,6% no ano passado em termos nominais. Se descontarmos os efeitos da inflação, subiu apenas 3,4%

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