Injeção que tratou cancro da cabeça e pescoço vai chegar Portugal

A injeção amivantamab vai ser testada em cinco hospitais portugueses. O tratamento mostrou eficácia em mais de um terço dos 102 doentes, eliminando completamente 15 tumores e diminuindo 28.
A injeção que destruiu cancro da cabeça e pescoço em vários países vai ser testada em Portugal, adianta o jornal Expresso. Vai ser administrada a doentes de cinco hospitais do país.
Os resultados foram apresentados no domingo, no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), a maior conferência mundial sobre cancro.
A injeção amivantamab, desenvolvida pela Johnson & Johnson, destruiu tumores de vários doentes durante o ensaio clínico. Foi eficaz em poucas semanas de tratamento em mais de um terço, uma parte significativa. Em 102 pacientes, o cancro diminuiu em 28 e foi totalmente eliminado em 15.
Segundo o The Guardian, a injeção também teve resultados em doentes com cancro do pulmão. O fármaco está igualmente a ser testado em cancros cerebral, do estômago e do cólon e do reto, em cerca de 60 ensaios clínicos.
Injeção testada em Portugal
A próxima fase de estudo envolve 500 doentes de diferentes países, alguns deles em Portugal. O Expresso adianta que os hospitais estão a recrutar doentes com carcinomas da cabeça e do pescoço incuráveis por terapias locais.
Os cinco hospitais em Portugal vão receber a injeção são os de Portimão, Gaia-Espinho, IPO-Porto, Santa Maria e CUF Descobertas, até meados de 2029.
O primeiro doente em Portugal vai ser incluído no ensaio já em junho, no Hospital CUF Descobertas, adianta ao Expresso Diogo Alpuim Costa, oncologista e investigador principal do ensaio em Portugal.
Em Portugal, são diagnosticados anualmente entre 2500 e 3000 casos de cancro da cabeça e pescoço. Mais de metade surge já em fase avançada, o que compromete as hipóteses de cura e reduz a qualidade de vida dos doentes.
Apesar de ser o sétimo cancro mais comum na Europa, continua a ser subdiagnosticado.
A administração é feita sob a pele e não por via intravenosa, de três em três semanas. Desta forma, o tratamento é mais rápido e cómodo.
A maioria dos efeitos do tratamento foram leves a moderados. De acordo com o The Guardian, menos de um em cada 10 pacientes foram obrigados a interromper o procedimento.
O The Guardian explica que a injeção ‘ataca’ o cancro de diferentes formas: bloqueia o EGFR (recetor do fator de crescimento epidérmico), uma proteína que ajuda os tumores a crescerem, e o MET, uma via que as células cancerígenas usam para escapar ao tratamento. Ajuda ainda a ativar o sistema imunitário






