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Êxodo de imigrantes: só na última semana “desapareceram mil motoristas” de Lisboa

A saída de imigrantes do país pode deixar vários setores sem uma grande parte dos trabalhadores.

Há cada vez mais imigrantes a abandonar Portugal após anos de residência no país. O jornal Expresso destaca esta sexta-feira o caso de vários brasileiros, e não só, que decidiriam regressar ao país de origem ou rumar a Espanha.

As causas do êxodo são várias: rendas altas, salários baixos, atrasos da AIMA na renovação de documentos, dificuldades no reconhecimento de competências e xenofobia.

Setores como o TVDE são especialmente afetados. A dificuldade de renovação da documentação, que impede os motoristas de trabalhar, levou muitos a abandonar a profissão e o país.

“Na última semana, em Lisboa, desapareceram mil motoristas, deixaram de operar na cidade. Estão carros parados”, diz ao Expresso Vítor Soares, da

Também lares de idosos, hotéis e restaurantes dependem fortemente de mão de obra estrangeira. Manuel Lemos, presidente da ­União das Misericórdias Portuguesas, garante que não conseguiria assegurar o funcionamento de instituições de apoio a idosos sem estes trabalhadores.

“Há três ou quatro meses que vários provedores, sobretudo no sul do país, e em particular no Algarve, começaram a sentir mais dificuldades de recrutamento, precisamente porque há menos imigrantes. O peso destes trabalhadores neste setor é muito significativo. Há misericór­dias onde são a maioria.”
O mesmo relata a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), setor onde, em 2023, os imigrantes representam um em cada três trabalhadores.

Segundo os dados mais recentes da Segurança Social, referentes a 2024, cerca de 45 mil trabalhadores estrangeiros deixaram o país nesse ano, o valor mais elevado desde 2015.

O relatório “Emprego em Portugal”, elaborado pela CoLABOR, uma associação com o selo da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, defende que a economia do país corre o risco real de colapsar caso deixe de contar com os trabalhadores estrangeiros.

Apesar de desmentir a afirmação proferida pelo dirigente da Associação Nacional Movimento TVDE, porque, sustenta a Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD) num esclarecimento enviado à SIC Notícias, “não existe qualquer informação pública oficial que permita conhecer o número de motoristas ativos por cidade, região ou distrito, nem acompanhar a sua evolução semanal”, a APTAD partilha da mesma preocupação.

“(…) as dificuldades de regularização documental junto da AIMA têm tido impacto no setor e poderão estar a contribuir para um abrandamento do crescimento do número de motoristas disponíveis para exercer atividade”, salienta.
Além disso, refere, há “problemas estruturais que afetam o setor TVDE em Portugal”, como “a pressão constante sobre os preços, a existência de excesso de oferta em várias zonas do país, a diminuição da taxa de ocupação dos veículos e o aumento dos custos operacionais” que, assume, têm “conduzido a uma degradação significativa dos rendimentos dos motoristas e operadores”.

Fatores que levam a que esta atividade não permita ter “um rendimento compatível com o salário mínimo nacional”, sendo, “por isso, natural que alguns profissionais procurem outras atividades económicas ou optem por abandonar Portugal perante a conjugação de dificuldades administrativas e económicas”.

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