Internacional

Argentina vive quarta greve geral contra reformas laborais de Milei

A greve geral, que está a decorrer esta quinta-feira, é contra as reformas laborais do Presidente Milei. A principal central sindical da Argentina promete um impacto forte, prevendo que os comboios, autocarros, aeroportos, portos, bancos e funcionalismo público fiquem paralisados ou operem com capacidade reduzida.

Começou esta quinta-feira na Argentina a quarta greve geral desde que o Presidente ultraliberal Javier Milei tomou posse, numa altura em que a câmara baixa do Parlamento analisava uma reforma laboral já aprovada pelo Senado.

A greve geral, convocada pela CGT, a principal central sindical do país, começou à meia-noite (03:00 em Lisboa), e está prevista durar 24 horas.

A CGT prometeu que o impacto da greve será forte, prevendo que os comboios, autocarros, aeroportos, portos, bancos e funcionalismo público fiquem paralisados ou operem com capacidade reduzida.

O sindicato acrescentou que também que os estabelecimentos privados, incluindo os restaurantes, devem ser afetados, dependendo das dificuldades que os empregados enfrentem para chegar ao trabalho.

O impacto deverá ser mais acentuado do que o da última greve, em abril de 2025, que visava proteger o poder de compra, mas que teve uma participação muito desigual, com os autocarros a circularem quase normalmente, o que não se prevê que aconteça hoje.

A companhia aérea argentina Aerolíneas Argentinas anunciou o cancelamento de 255 voos, incluindo cerca de 30 ligações internacionais, afetando mais de 30 mil passageiros no total.

Queremos dizer ao Governo que o povo lhe deu o seu voto, mas não para que lhe retirem os direitos”, declarou Cristian Jerónimo, co-líder da CGT, sindicato ligado ao centro-esquerda, na véspera da greve.

A Câmara dos Deputados (câmara baixa do Parlamento) irá, também esta quinta-feira, debater e votar um projeto de reforma trabalhista promovido por Javier Milei, após a aprovação há uma semana no Senado (câmara alta).

A reforma facilita os despedimentos, reduz a indemnização por despedimento, permite o prolongamento da jornada de trabalho (de 8 para 12 horas), alarga a definição de serviços essenciais durante as greves e autoriza a divisão das férias.

O Governo diz que

modernização do trabalho” (nome do projecto de lei) visa impulsionar a contratação numa economia onde mais de 40% do emprego é informal, restringindo aquilo que denuncia como a “indústria dos litígios” laborais.

O Senado aprovou a reforma laboral em 11 de fevereiro, apesar de um protesto frente ao Congresso, que terminou com feridos e detidos.

O Governo apresentou contra os manifestantes uma denúncia por terrorismo e outra pelo crime de instigação pública à prática de danos agravados e resistência à autoridade.

A CGT não convocou manifestações para hoje, mas alguns sindicatos e pequenos partidos de esquerda planearam uma mobilização junto do Congresso.

O ministério da Segurança Nacional anunciou medidas para limitar a cobertura jornalística nas imediações do parlamento.

A Associação de Correspondentes Estrangeiros da Argentina, que tem mais de 40 anos de história e reúne mais de 90 correspondentes de meios de comunicação internacionais, expressou “profunda preocupação” com as medidas.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo