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Vereador do Chega contratou mulher de assessor do partido

Nas redes sociais multiplicam-se os posts que acusam os vereadores do Chega de terem contratado a “esposa de um assessor do próprio partido”. Confirma-se? Mais: será caso único? A SIC Verifica.

Há quem diga que ‘no melhor pano cai a nódoa’ e o Chega tem vindo a pintar-se com várias nódoas. Num contexto em que constrói, desde a sua fundação, o seu discurso político na base das críticas ao favorecimento e ao nepotismo – os denominados ‘tachos’ -, os casos de teias familiares parecem multiplicar-se

Depois de o vereador do Chega Bruno Mascarenhas ter nomeado a namorada para um cargo na administração dos serviços sociais da Câmara Municipal de Lisboa e de os irmãos Cristina terem gerado polémica, há novas suspeitas a manchar o partido

Em Vila Franca de Xira, os vereadores do Chega continuam a luta contra o ‘sistema’… contratando a esposa de um assessor do próprio partido. Não é nepotismo, é meritocracia em família. Os tachos são maus, a menos que sejam caseiros”, lê-se num tweet publicado no dia 2 de fevereiro.

Os visados são Ana Isabel Ribeiro Paz e Ruben Daniel Ribeiro Duarte que serão, segundo se alega, um casal.

As publicações multiplicam-se, mas será que correspondem à verdade?
Começando por Ana Ribeiro Paz, há registo no Portal Base de um contrato de prestação de serviços por avença celebrado entre a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e a visada, sendo objeto do mesmo a “prestação de serviços” para “apoio e informação ao Gabinete de Apoio aos Vereadores do Partido Cheg

O acordo prevê o pagamento global de 75.200 euros, distribuídos por 47 prestações mensais de 1.600 euros, para prestação de apoio técnico e político aos vereadores daquele partido, com início de vigência a 1 de janeiro de 2026 e 30 de novembro de 2029, portanto, ao longo do atual mandato autárquico.

Já Ruben Ribeiro Duarte foi nomeado assessor do Grupo Parlamentar (GP) do Chega, por despacho do presidente GP do mesmo partido, o deputado Pedro Pinto, a 3 de julho de 2025. O assessor foi também eleito membro da Assembleia de Freguesia de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz.

Ambos, sabe a SIC, mantêm uma relação amorosa há vários anos, como aliás fica demonstrado através de publicações nas redes sociais. No Instagram, onde, até 5 de fevereiro, mantinha uma conta pública, o assessor do partido liderado por André Ventura não esconde essa mesma ligação que remonta desde, pelo menos, a 2017.

Sendo esta uma das bandeiras do Chega, o famoso “limpar Portugal” de ‘tachos e tachinhos’, a SIC questionou os vereadores do partido e a autarquia sobre este contrato realizado por ajuste direto.

Sendo esta uma das bandeiras do Chega, o famoso “limpar Portugal” de ‘tachos e tachinhos’, a SIC questionou os vereadores do partido e a autarquia sobre este contrato realizado por ajuste direto.

Quanto às relações pessoais entre os dois visados, a autarquia indica que “não relevam para o desenvolvimento do presente processo de contratação, dada a indicação do Partido Chega”.

Ruben Ribeiro Duarte confirmou à SIC que Ana Ribeiro Paz é sua “esposa e foi contratada como assessora” do vereador José Barreira Soares. De acordo com o assessor, a esposa “já fazia trabalho de assessoria não renumerado para o vereador em causa, no mandato passado

Com formação em multimédia, Ruben Ribeiro Duarte alega que a mulher conseguiu o trabalho não por favorecimento, mas por mérito e que “a decisão de quem são os assessores é da exclusiva responsabilidade dos vereadores”, não havendo “outro tipo de influências”.

Um assessor quer-se alguém de confiança, alguém profissional, alguém com capacidades técnicas para executar os serviços que são necessários. A Ana tem todo esse perfil e, portanto, foi esse o motivo pelo qual foi selecionada e não por outro”, afirmou.

Ruben afirma que Ana Ribeiro Paz chegou a este cargo por ser simpatizante do Chega, tendo “acompanhado o trabalho que é desenvolvido no concelho de Vila Franca de Xira, à semelhança de muitos outros voluntários”.

É uma questão de mérito. Aliás, até pelo contrário [referindo-se às acusações de favorecimento], porque para os serviços que são prestados – e isto não é uma contratação, é uma prestação de serviços, neste caso a recibos verdes –, o valor que está a ser pago é muito abaixo da média de mercado. Portanto, o favorecimento aqui a existir é ao contrário, é a própria Ana que está a favorecer o partido porque está a oferecer serviços abaixo do preço-custo para ajudar o partido”, sublinhou.

Sobre os ‘tachos’ que o Chega critica, Ruben Ribeiro Duarte explica que estes referem-se a “cargos de elevado rendimento em que as pessoas não têm capacidade, muitas das vezes, para os desempenhar e são favorecidos e colocados nesses cargos porque são familiares de alguém ou conhecidos de alguém”, algo que, considera, não é o caso de Ana.

Já Barreira Soares, o vereador do Chega responsável pela contratação de Ana Isabel Paz, indicou à SIC que os assessores são “cargos de elevada confiança política” e, nesse sentido, “a

escolha foi feita com base em pessoas que já colaboravam” com o partido “anteriormente, de forma voluntária e sem qualquer tipo de remuneração”.

“Não selecionamos assessores com base em laços de parentesco, mas sim no trabalho previamente demonstrado, sempre em regime não remunerado”, defendeu Barreira Soares.

O vereador indica ainda que “para além das três assessoras remuneradas pela Câmara, em regime de recibos verdes”, o partido com “um conjunto alargado de colaboradores que trabalham de forma voluntária”, e assume que “alguns têm ligação ao partido, entre eles eleitos, assessores, trabalhadores e há também casos de colaboração familiar (marido, mulher e até filhos)”. Defende também que “todos são movidos pelo objetivo comum de melhorar” o concelho.

No momento da seleção, foram convidadas várias pessoas; as escolhidas foram as que demonstraram disponibilidade e capacidade para responder às exigências do trabalho, que têm cumprido até ao presente”, esclarece Barreira Soares afirmando que, quando não se adaptam, “terão naturalmente de cessar funções”.

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