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Bombeira “rejeitou” apertar a mão a André Ventura durante ação de campanha?

Nas redes sociais multiplicaram-se na última semana publicações em que André Ventura surge de mão estendida à frente de uma bombeira que parece não aceder ao seu cumprimento. Sugere-se que esta recusou cumprimentá-lo ora com elogios ora com críticas à atitude da mesma. Mas, afinal, o que aconteceu? A SIC Verifica.

As publicações proliferam e as alegações agarradas às mesmas dividem-se. Há quem diga que a bombeira rejeitou cumprimentar o candidato – agora derrotado – à Presidência da República e por isso a mesma é elogiada… e criticada. Outros alegam que, afinal, a bombeira cumprimentou Ventura e difundem imagens que comprovam esta tese.

Este não. Numa das suas ações de campanha para as presidências, André Ventura, recebeu um gesto de antipatia na aborgadem a uma bombeira, que com atitude rejeitou apertar-lhe a mão. Desta forma deixou claro que este candidato populista e icendiário nos seus discursos, não serve a democracia”, lê-se numa das publicações.

A imagem, com a assinatura de Manuel Roberto, gerou polémica e acusações, além de muitas dúvidas. Inclusive, surgiram versões da fotografia do Público em que se vê o aperto de mão e até um beijo.

Será que a bombeira recusou cumprimentar Ventura?

Não. Tal como confirmou a SIC no local, no dia 1 de fevereiro em Vila Verde, a imagem, ainda que verdadeira, retrata apenas o momento prévio ao cumprimento que, de facto, aconteceu. A visada não ignorou Ventura e esboçou um ligeiro sorriso cordial ao cumprimentar o candidato.

Ainda assim, houve imagens manipuladas com recurso a IA a partir da original que mostram o cumprimento entre o candidato e a bombeira. Exemplos disso são publicações que mostram Ventura a cumprimentar a bombeiro com um beijo no rosto ou outras em que a imagem é exatamente igual mas a bombeira surge com o braço estendido.

Mas vamos às imagens reais:
Durante a emissão da RTP, no passado dia 2 de fevereiro, pelas 18h53, confirma-se o cumprimento formal.

Além destas imagens da estação pública, uma fotografia captada por Tiago Petinga, da Agência da Lusa, também mostra que o cumprimento existiu.

Sobre o caso, o provedor do leitor do Público, João Garcia, escreveu este fim de semana, após análise e contactos junto dos Bombeiros de Vila Verde que “houve erro do Público” no que respeita à referência à corporação da bombeira. Esta pertence a Braga e não à corporação de Vila Verde.

Contactada a corporação de Braga, o “comandante Pedro Ribeiro esclareceu que a sequência de imagens confirma que o aperto de mão existiu”, até porque, “por regulamento”, todos “são obrigados a saudar qualquer pessoa, independentemente de cor, credo ou filiação política”. A visada, no entanto, não quer falar do assunto.

Face ao exposto, João Garcia assume “dificuldade em se pronunciar”, mas conclui: “Nem legenda nem o texto referem que recusou o aperto de mão, e foi pena que o Público não tivesse perguntado à jovem bombeira como se sentiu frente a Ventura”.

À SIC, a direção do jornal indica que são “inteiramente alheios às várias manobras de desinformação em que essa fotografia foi utilizada” e considera que não haverá muito a acrescentar.

Não há nenhuma intenção de induzir em erro e a legenda traduz o momento”, conclui a mesma.

Apesar de a imagem original ter sido manipulada com recurso a inteligência artificial e usada como crítica ao jornal ou como forma de enaltecer (ou criticar) a atitude da bombeira, a verdade é que esta cumprimentou mesmo Ventura. Seja por regulamento ou não, o cumprimento existiu e as imagens da Lusa e RTP provam isso mesmo.

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