António Costa diz que objetivo dos EUA e Israel com a guerra no Irão “não é claro”

O presidente do Conselho Europeu considera que o objetivo dos Estados Unidos e de Israel com a guerra contra o Irão, que “não é claro”, vai ditar a duração do conflito, e admite “profunda preocupação” com as consequências.
Penso que tudo [tempo que durará a guerra] depende de qual é o objetivo final desta missão e isso não é claro”, afirmou António Costa, em entrevista à Lusa e a outras agências noticiosas no âmbito do projeto Redação Europeia (European Newsroom) nas vésperas de uma cimeira europeia marcada para quinta e sexta-feira e na qual será abordada a situação no Médio Oriente.
“Trata-se de uma iniciativa adotada pelos Estados Unidos e por Israel sem qualquer informação prévia aos aliados europeus. Expressamos a nossa profunda preocupação com as consequências desta guerra para a ordem internacional baseada em regras, com as consequências humanitárias e também com o impacto nos custos da energia na economia global”, acrescentou o antigo primeiro-ministro português.
O encontro europeu de alto nível surge cerca de três semanas após o conflito iniciado por Israel e Estados Unidos contra o Irão e consequente resposta iraniana e já afetou vários setores na União Europeia (UE), nomeadamente ao nível económico (dada a elevada inflação e a escassez de bens) e energético (pela instabilidade na produção e exportação de petróleo e gás e a subida acentuada dos preços globais).
Acrescem outras consequências, como atrasos em cadeias de abastecimento e aumento de custos e deslocamentos de população.
Questionado sobre o impacto desta guerra na ordem internacional, António Costa elencou: “Na qualidade de presidente do Conselho Europeu, não sou jurista, pelo que tenho de analisar esta questão do ponto de vista político e, desse ponto de vista, (…) constato que os Estados Unidos e Israel decidiram lançar esta iniciativa sem informar os seus aliados, o que significa que enfrentamos um risco muito elevado de aumento das tensões internacionais e riscos consideráveis para a estabilidade em toda a região do Médio Oriente”.
Além disso, acrescentou, “enfrentamos um risco grave para a segurança europeia, para a nossa segurança económica, o risco de agravamento de uma crise humanitária e também, aprendendo com o passado, o risco de aumento do terrorismo”.
Pedimos a todas as partes que se abstenham, que respeitem plenamente o direito internacional, especialmente os princípios da Carta das Nações Unidas, e que deem espaço à diplomacia”, apelou.
À questão se a UE está sozinha na defesa de tais valores, António Costa respondeu: “Não, penso que estes são princípios comuns e universais (…) e o que ouvi de todos os diferentes intervenientes internacionais coincide com o que a União Europeia tem vindo a afirmar”.
O presidente do Conselho Europeu garantiu, ainda, estar “totalmente alinhado” com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no respeito pelas regras internacionais, o multilateralismo e o apoio às Nações Unidas.
Na semana passada, Von der Leyen instou a UE a adotar uma abordagem mais firme face à nova era de rivalidade geopolítica, sugerindo que a velha ordem mundial estava extinta, enquanto António Costa disse ser do interesse europeu que o mundo continue a ser um espaço baseado em regras.






