10 detidos pela PJ, incluindo administradores judiciais ligados ao advogado Paulo Topa, após Investigação SIC

Os mandados de detenção foram emitidos na sequência da Investigação SIC de dezembro aos negócios do advogado Paulo Topa, que está em prisão preventiva.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve dez pessoas, incluindo três administradores judiciais, um advogado e seis empresários e comerciantes, por ligações ao advogado Paulo Topa.
A operação “Cinderela” decorreu “nas áreas do Grande Porto, Aveiro e Coimbra”, estando os detidos “indiciados pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção, burla qualificada, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, que terão sido praticados, pelo menos, entre 2023 e 2025”.
Esta investigação “incide sobre a atuação organizada e concertada dos detidos, intervenientes em processos de insolvência e/ou de recuperação de empresas, no âmbito das suas funções profissionais, num esquema criminoso que permitiu beneficiar os insolventes e viabilizar a apropriação de património em prejuízo dos reais credores”, revela a PJ em comunicado.
O esquema passava por, através de pessoas singulares e/ou coletivas, apresentar “créditos fictícios e documentação forjada” para garantir “o imediato reconhecimento de credores sem a devida comprovação da dívida”.
“Estes créditos fictícios, além de permitirem a apropriação imediata de bens móveis ou imóveis, asseguravam a aprovação dos planos de recuperação, para que os devedores pudessem tirar proveito dos seus efeitos, suspendendo a ação dos reais credores e dissipando o património existente”, acrescenta a Judiciária.
Os mandados de detenção foram emitidos na sequência da Investigação SIC de dezembro do ano passado aos negócios do advogado Paulo Topa, que está em prisão preventiva.
Ainda no âmbito da operação “Cinderela” foram realizadas “18 buscas domiciliárias e não domiciliárias, que visaram residências, empresas e escritórios de advogados, tendo sido apreendidos elementos probatórios de diversa natureza, designadamente, documentação, material informático, quantias monetárias, objetos de luxo e viaturas de gama alta, relacionados com a prática dos crimes em investigação”.
Os detidos, que vão presentes ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação, têm entre 44 e 77 anos de idade.
Advogado é suspeito de desviar milhões de euros
O advogado Paulo Topa é suspeito de desviar 10 milhões de euros num esquema revelado pela Investigação SIC.
O mandado de detenção foi emitido na sequência da reportagem da SIC e por haver risco de fuga para o Brasil. Paulo Topa foi detido no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, quando aterrou vindo de Casablanca (Marrocos).
O advogado do Porto e três administradores de insolvência são suspeitos de desviarem milhões de euros de empresários em falência.
Ao longo de uma década, terão criado 50 empresas de fachada, elaborando créditos falsos e aliciado pessoas vulneráveis, incluindo um sem-abrigo, para servirem como testas-de-ferro.
Paulo Topa é o advogado suspeito de liderar a rede. Foi detido duas vezes em 2025, mas saiu sempre em liberdade.
Mas à terceira foi de vez. No final do ano passado foi detido quando estaria, novamente, a angariar clientes.






